sexta-feira, 20 de janeiro de 2017



O que exatamente quer dizer "largo, raso, profundo"? Talvez queira dizer as dimensões de sentimentos e seus momentos. Algumas vezes são largos, de grande extensão, um grande sertão, um grande mar, uma grande geleira...que sentimentos poderiam ser tão grandes que pudessem ser classificados como "largos"? O amor? O ódio? Os dois? Algum mais? Todos mais?...Mas os sentimentos também podem ser rasos. Esse não é, com certeza, o caso do amor. O amor nunca é raso. Nem do ódio. Mas bem que poderia ser o caso do preconceito! Poderia ser o caso da angústia, da mágoa, da tristeza. Bom que seja. Esses sentimentos devem sempre ter o caráter de rasos! Raso é aquele lugar de água em que "dá pé", ou seja, que podemos tocar o fundo e deixar a cabeça para fora d'água. Podemos sair dele fácil, podemos voltar a ele fácil. De fato, esse é o caso do preconceito, da angústia, da mágoa e da tristeza. Muito embora, quando estamos neles temos a sensação de que não sairemos fácil, mas são rasos, sem fundamentos lógicos, e altamente passageiros. São apenas nossas percepções que fazem com que eles pareçam...profundos!
Talvez você possa pensar que o preconceito é profundo, nada raso e muitas vezes largo. Mas ele é apenas um sentimento idiota de que somos maiores e melhores do que outros. Quem disse isso? Nossa percepção narcisista, é claro! Então, como uma percepção, ele é raso apenas. Não tem profundidade, não tem identidade, não tem fundamentos, não tem critérios, não é largo. Passageiro? Infelizmente não. Mas essa não é uma dimensão em pauta aqui. O preconceito é raso porque não é justificável.
Mas quais são, então, os sentimentos profundos? Ele não é plural. É um só: o amor! O amor é profundo, não "dá pé", mas incrivelmente é muito prazeroso sentir que o amor nos cobre e mesmo assim continuamos a...respirar! O amor pode tudo! E quem pode defini-lo? Camões já tentou, Vinícius de Moraes também (várias vezes) e outros tantos poetas que tentaram em vão colocar em palavras o que não pode ser codificado, porque é profundo. Nós somos feitos do amor. Nos perdemos dele pela vida, com certeza, mas é nossa essência esquecida, profunda, pura. 
Não sou nem um pouco boba para tentar falar do amor aqui. Deixo para os especialistas, os poetas. (Mas duvido que consigam). No entanto, posso sim dizer que o tema primeiro desse espaço é o amor, porque quero que ele norteie todo o resto. Seja em discussões, debates, papos científicos, papos políticos ou de futebol, que sejam expostos com amor. O amor apaixonado, o amor vibrante, o amor que perdoa, pondera, anima, exorta, que "tudo sofre, tudo crê" (1 Coríntios capítulo 13). Esse amor, profundo, largo e nem um pouco raso é o que os gregos chamam de ágape. O amor Divino e inexplicável. 
A profundidade de cada ser está em sua essência de amor. Então, eu sou (somos? pode ser?), de fato larga porque sou uma imensidão como todos os seres humanos, mas também rasa, porque deixo que o mundo me torne muitas vezes superficial, e enfim, profunda porque minha essência é o amor que eu muitas vezes não atuo mas que está lá. Vivamos com esse amor total que está dentro de nós e o mundo será transformado enfim.
Bem vindos a esse blog! Quero que ele seja para falar de tudo. Para colocar o mundo em palavras. Para ser um espaço de expressão de cada um de nós. Mas que seja com e por amor. Sempre, pra sempre...